Bruno Linhares

Um blog sobre Comunicação, Marketing, Filosofia e Cultura

Archive for Dezembro 2010

A Certificação Digital e o Desenvolvimento Social

leave a comment »

A Certificação Digital e o Desenvolvimento SocialJá é conhecido o impacto positivo da ampliação certificação digital sobre os custos empresariais. A redução das despesas das empresas está ligada à desmaterialização de processos e a eliminação da burocracia legal, efeitos diretos da utilização desta nova tecnologia e da internet em larga escala.

O Brasil, um dos países em que o processo de certificação é profundamente original quanto à velocidade e amplitude de sua adoção, está construindo um ciclo virtuoso, a partir do qual a competitividade de nossa economia e das nossas empresas aumenta na medida em que outros setores venham a aderir a essas práticas que vão crescentemente se universalizando e potencializando os benefícios econômicos para o conjunto das cadeias produtivas.

O que pouco se discute são os outros benefícios da certificação, aqueles que afetam positivamente segmentos sociais mais amplos do que o empresariado. De maneira geral, a simplificação dos processos sempre esteve relacionada à redução da mão de obra empregada. Desta fonte vem boa parte da redução dos custos. O que cria um efeito dúbio – se por um lado o excedente significa melhores condições para concorrer no mercado global, com suas implicações na renda do conjunto da população, por outro os efeitos sociais para o mundo do Trabalho são os conhecidos.

Se esta foi a ênfase das transformações tecnológicas da década de 1990, atualmente o efeito da adoção de novas tecnologias, em particular a certificação, tem efeitos benéficos para a base da pirâmide social. Um dos primeiros efeitos positivos vem da corajosa postura da Receita Federal Brasileira, ponta de lança na adoção da certificação pela sociedade. Esta estratégia, combinada com um inédito esforço de fiscalização, reduziu significativamente a sonegação, provendo o Estado de recursos a serem aplicados em Educação, Saúde e outras ações de base, que ajudam a eliminar a miséria e a promover o desenvolvimento social. Recursos que anteriormente eram privada e ilegalmente acumulados hoje se colocam à disposição da sociedade.

As aplicações da certificação digital em Saúde permitem maior transparência nas relações entre as empresas de saúde e os gestores públicos. Isto pode significar uma redução de custos e sua reaplicação de forma a prover melhores condições de atendimento à população. A universalização do uso do prontuário digital promoverá uma verdadeira revolução no atendimento, caso consorciada a construção de uma rede integrada de atendimento. Podemos estar no limiar de outras transformações profundas em termos de Saúde Pública, com o suporte de novas tecnologias e novas práticas de gestão.

Na área do Direito, a morosidade da Justiça é um problema reconhecido por toda a sociedade. A certificação digital pode ser um mecanismo extremamente eficaz para suprir as atuais carências, permitindo uma agilização da tramitação de processos. A redução dos custos da Justiça para os cidadãos e a melhoria das condições de trabalho para advogados, serventuários e magistrados são outros benefícios diretos da adoção em larga escala da certificação e do peticionamento eletrônico.

Do ponto de vista ambiental, a redução do uso de toneladas e toneladas de papel, tinta e outros insumos que são substituídos por informações em dispositivos eletrônicos é o grande trunfo obtido a partir da certificação e do uso da internet como mecanismo de comunicação e gestão.

Esses são alguns exemplos das grandes vantagens da introdução da tecnologia direcionada ao bem estar social. Sob a direção do ITI – Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, estamos em nosso país seguindo este caminho de unir, também no campo da tecnologia, a melhoria das condições econômicas com o desenvolvimento humano e social.

Written by brunolinhares

Dezembro 27, 2010 at 11:47 pm

Razões de Estado

leave a comment »

WikiLeaks Censurado
A prisão de Julian Asenge demarca um novo momento nas relações entre os Estados e a Internet. O ataque ao criador do site WikiLeaks, sob o manto de obscuras alegações de crime sexual, inaugura a criminalização da livre expressão na web, uma das principais revoluções em termos de Comunicação Social da História.

Para os círculos conservadores, o espaço livre da web sempre foi uma preocupação. Com a internet se rompem as barreiras de controle, sejam econômicas ou políticas, sobre a criação e difusão de conteúdo, dando condições para o desenvolvimento de novas formas de comunicação e o fortalecimento de veículos com independência frente aos grandes grupos econômicos. Aqui mesmo no Brasil, segue tramitando o projeto do Senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que busca impor limitações à web brasileira. Projetos semelhantes são discutidos em outros países ditos democráticos, para não falarmos das ações da China e de outros governos que buscam filtrar e censurar o acesso à web.

Em seu mais recente feito, Asenje e seu WikiLeaks conseguiram desnudar os meandros da diplomacia norte-americana, criando sérios problemas para as relações da superpotência dominante nos quatro cantos do planeta. Permitiu-nos também compreender um pouco melhor a visão geopolítica da burocracia do Império e o grau de primitivismo e de ignorância em que evolui este “pensamento”.

Isto bastou para que a defesa das liberdades tenha sido prontamente esquecida pelos que cotidianamente se arvoram como os baluartes da Democracia. Das profundezas do conservadorismo norte-americano, viés “Tea Party”, surgem demandas pela “execução” de Asenje, com qualquer verniz “libertarian” guardado para os momentos de festa. Em termos de ação concreta, fecha-se o cerco sobre o veículo – fundos são bloqueados, hospedagem em servidores é eliminada, meios de pagamento e arrecadação de recursos fecham as portas. Uma perseguição digna de qualquer “thriller” de espionagem.

A velha mídia, inclusive a brasileira, cala-se frente ao escândalo desta ação articulada contra a liberdade de expressão.  Nenhum editorial rompe o silêncio sepucral que emana da narração fria dos fatos, com direito a “opiniões” dos comentaristas alinhados com a ação do governo norte-americano e de seus aliados.

Para os seus detratores e perseguidores, não importa que o WikiLeaks não seja responsável pela obtenção das informações “confidenciais”, atividade que eventualmente poderia incorrer em crime conforme a legislação de cada país. Basta que tenha se proposto a veicular, a difundir as informações disponibilizadas por terceiros. A defesa das fontes sempre foi uma prerrogativa da Imprensa, que tem como missão maior garantir que informações, consideradas secretas ou não, cheguem ao conhecimento da sociedade.

A defesa do direito à informação e ao conhecimento sobre a ação e o funcionamento dos Governos é uma conquista da Civilização. Não devemos nos calar neste momento em que tais conquistas são colocadas em risco em nome das razões de Estado.

Written by brunolinhares

Dezembro 8, 2010 at 2:56 pm