Bruno Linhares

Um blog sobre Comunicação, Marketing, Filosofia e Cultura

Archive for Agosto 2009

Bons Ventos no e-commerce brasileiro

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Bons Ventos no e-commerce brasileiro

Boas novas chegaram do e-commerce brasileiro neste primeiro semestre. Contrariando as previsões iniciais após o deslanchar da crise, inclusive as minhas, expressas neste blog, o patamar de crescimento permanece  elevado – a taxa do 1º semestre de 2009 em relação a igual período de 2008 foi de 27%,  ligeiramente inferior ao incremento observado em todo ano de 2008, que atingiu cerca de 30%.

Se compararmos o crescimento do primeiro semestre de 2009 com o do mesmo período de 2008, podemos verificar no entanto que a crise cobra seu preço. No 1º semestre de 2008, chegamos a 46%, quase 20 pontos percentuais acima do resultado deste semestre. Mas basta conferir o que ocorreu no último Natal do e-commerce, com apenas 15% de aumento de vendas, para verificar que já podemos falar em uma importante reversão de expectativas.

É verdade que os efeitos da crise econômica mundial foram menos severos para o Brasil e que os problemas de venda do varejo como um todo no fim de 2008 deveram-se menos a fatores econômicos e sociais reais e mais a queda da confiança dos consumidores, embalados pelas notícias vindas do “front” econômico. Na Internet este fator foi ainda mais intenso devido ao maior nível de informação dos consumidores do canal.

O que está ocorrendo então no e-commerce brasileiro ? Se prossegue o crescimento da população digitalmente incluída e, em paralelo, o aumento do número de pessoas que compraram através da Internet – já chegamos a faixa de 15 milhões, outros fenômenos também ajudam  a manter o e-commerce aquecido. Um deles é a contínua ampliação da compra de produtos de maior valor agregado, com o conseqüente aumento do ticket médio. Particularmente os eletrodoméstico, sob o efeito da redução do IPI, chegaram a 4ª posição em  volume de pedidos, resultado inédito, superando a compra em eletrônicos sob este critério.

Outro fator, interessantíssimo, é o crescimento impressionante de pequenas e médias operações na Internet. Todos que acompanham o e-commerce, há muitos anos esperavam a redução da concentração, irreal em termos de varejo e que só demonstrava a insipiência da Internet como canal de venda. Mas o rápido aumento das opções e sua aceitação pelos consumidores já nos mostra que estamos em outro nível de maturidade.

Se verificarmos a situação do e-commerce nos EUA, o quadro é bem diferente. As previsões são de queda de 0,4% em 2009, contra a perspectiva de aumento de 28% no Brasil. Evidentemente a situação da economia norte-americana é bem pior, mas o nível de penetração das vendas pela web também é superior por lá – 9 entre 10 internautas irão comprar on line nos Estados Unidos neste ano. Antes mesmo da crise econômica, as taxas de crescimento acumulado apontavam uma menor taxa de incremento – o crescimento anual acumulado entre 2002 e 2007 foi de 23%, contra uma expectativa anual de 8,8% entre 2008 e 2013, no caso otimista de uma recuperação econômica a partir de 2010.

Se as perspectivas são favoráveis no Brasil, ainda assim é necessário acompanhar com cuidado tanto o comportamento dos consumidores quanto a estratégia das empresas de varejo, que apesar do recente fim (ou da interrupção) de algumas “tradicionais” operações de e-commerce, precisam manter o nível de investimento e o foco na web, se quiserem incrementar ou mesmo manter sua fatia no mercado on line.

Fontes: e-commerce no Brasil – WebShoppers20, e-bit, Estados Unidos – e-Marketeer.

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Written by brunolinhares

Agosto 25, 2009 at 10:53 pm

Publicado em Crise Economica, e-commerce

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A Febre do Twitter

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Febre do TwitterNesses tempos de gripe, outra febre contamina o cenário do marketing interativo – o Twitter. Na verdade, o assunto há muito ultrapassou o segmento dos especialistas e dos antenados na web, atingindo boa parte da sociedade, ou pelo menos os setores que tem o hábito regular da leitura no país, o que se conta na casa das dezenas de milhões de pessoas.

Não importa se não há interface em português disponível, ao contrário dos outros veículos sociais importantes. Muita gente é atraída, discute, comenta e até experimenta “twittar”. Já flagrei por aí inúmeras sérias discussões e “explicações” do fenômeno, em bares, na locadora de vídeo e até na feira da General Glicério (quem é do Rio de Janeiro, conhece). Após ser objeto de inúmeros blogs, capa de uma revista de circulação nacional e até matéria da indefectível “Exame”, o microblog ganha as ruas e os corações e mentes dos internautas (e até de outros curiosos ainda não inseridos digitalmente).

Será o fenômeno duradouro? Qual o horizonte e, principalmente, qual o modelo de negócios sustentará a expansão do veículo?

 As projeções do próprio Twitter apontam para um crescimento vertiginoso no mundo todo, conforme informações “hackeadas” e posteriormente publicadas em um blog francês. Outras fontes não são tão otimistas, como mostra o diagrama abaixo.

 Perspectivas para Evolução do Twitter

A crítica de especialistas à projeção do Twitter está baseada nos critérios por ela utilizados – o mesmo fator de crescimento verificado nos EUA é projetado para o conjunto do planeta. Em minha opinião trata-se de um argumento válido, já que muito de sua efervescência ocorre justamente neste país, com grande parte das mensagens sendo postadas em inglês. Eventualmente o nosso país, no qual a cultura norte-americana exerce uma séria influência e a atração pela mídia social é grande, também pode representar outro pólo importante, destoante de outras sociedades menos afeitas ao seu uso.

Por outro lado, o microblog representa uma forma muito simples e direta de expressão – ao contrário dos blogs convencionais que por mais descompromissados ainda exigem algum domínio de formas de expressão escrita mais elaboradas. E expressar-se e conectar-se com os amigos e a família são o maior interesse dos usuários do Twitter – 41% indicam ser o seu maior atrativo, conforme pesquisa da empresa norte-americana TNS. A este motivo, segue-se o de informar sua situação (mote inicial da ferramenta) – 29,1% e receber novas informações e manter-se atualizado – 25,8%. O seu uso por motivos profissionais ainda fica em quarto lugar, cerca de 21,7% das opções.

Se, apesar da discrepância de perspectivas, é unânime a projeção de que ainda há um horizonte de crescimento, não se vislumbra por enquanto um modelo de negócios sustentável para o Twitter. Outras mídias sociais passaram ou estão passando pela fase de consolidação de suas receitas ou de sua lucratividade. Outros ainda, como a Second Life, uma febre de curta duração, praticamente ficaram no passado. O futuro do mecanismo dependerá da criação de formas de rentabilizar o gigantesco fluxo de informações que circulará por seu intermédio.

Written by brunolinhares

Agosto 5, 2009 at 9:06 pm