Bruno Linhares

Um blog sobre Comunicação, Marketing, Filosofia e Cultura

Archive for Março 2009

Porque a Internet representa tão pouco nos investimentos publicitários do Brasil ?

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Fomos brindados nas últimas duas semanas com informações diferenciadas sobre a participação da Internet nos investimentos publicitários no país. Segundo o IAB – Interactive Advertising Bureaux, em 2008 os investimentos na Internet chegaram a R$ 759 Milhões, cerca de 3,5% do mercado, com  um crescimento de 44% sobre o ano anterior. 

 

Já o IBOPE divulgou que os anunciantes gastaram na web cerca de R$ 1,594 bilhão, o que representaria 2,7% do investimento total em 2008. Neste montante só são expressas as despesas em mídia gráfica, ficando de fora o dispêndio em busca (links patrocinados) e outros formatos.

 

O IAB espera ainda que em 2009 a Internet venha a abarcar 4,2% dos gastos publicitários no país, ainda distante da realidade norte-americana, que atingiu 9% em 2008, com estimativas de um crescimento para 11,5% neste ano, conforme o The Kelsey Group e o BIA Advisory Services .

 

Esta disparidade de informações e de metodologias reforça nossa avaliação sobre a  dificuldade que o mercado ainda tem ao trabalhar com a web, embora seja consenso a expectativa de um forte crescimento de sua representatividade entre as opções de mídia em 2009.

 

Comparando-se a realidade brasileira com a dos 10 países com maior investimento de mídia em Internet em 2008, conforme informações do GroupM, tem-se a exata noção de como os anunciantes mundo afora já aproveitam o espaço interativo para construir suas marcas. As impressionantes estimativas falam por si – Reino Unido, 25,6% (!!!) , Dinamarca, 22,6%, Suécia, 19,5%, Coréia do Sul, 16,6%, Noruega, 15,9%, Japão, 15,5%, Países Baixos, 15,7%, Austrália, 14%, Canadá, 14,5% e República Tcheca, 14,3%,

 

A penetração da Internet no Brasil, com 80% das classes A e B e 45% da classe C já acessando a web, é muito interessante. Hoje, ainda segundo o IBOPE, são cerca de 24,5 milhões de visitantes únicos residenciais. Por outro critério, este instituto contabilizou que cerca de 62,3 milhões de pessoas acessaram a Internet em 2008, a partir de casa ou de outros locais.

 

Se esses números no geral podem não parecer tão significativos em uma população de mais de 200 milhões de pessoas, temos que levar em conta que a realidade de concentração de renda e exclusão social no país fazem com que a participação dos internautas no consumo seja bem maior que sua representatividade demográfica.

 

Como a evolução do planeta e a utilização da tecnologia raramente seguem trajetórias lineares e tem a tendência de pular etapas, o cenário fica mais complicado quando se fala no surgimento das mídias sociais e sua utilização pelas marcas. É sabido que os brasileiros tem uma das maiores taxas de utilização dessas mídias no mundo, tendo inclusive sido precursores na popularização dos primeiros espaços sociais. Cerca de 85% dos internautas brasileiros estão freqüentando alguma mídia social. Somente o Canadá tem maior participação, com 86% plugados. Tal participação chega a 70% nos EEUU, 59% na França e somente 56% no Japão.

 

A oportunidade é imensa para os profissionais e as marcas. Vamos aproveitá-las ou também desta vez iremos ficar para trás ?

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Written by brunolinhares

Março 24, 2009 at 8:59 pm

Últimas informações e reavaliação das perscpectivas de e-commerce em 2009

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cifras

Novas informações sobre o crescimento do e-commerce em 2008 e as perspectivas de evolução em 2009 em alguns países do 1º Mundo demonstram que efetivamente a crise econômica atinge o mundo on line.

 

Dos EEUU chegam informações mais negativas : o e-commerce cresceu somente 6% em 2008, contra um crescimento de 21% em 2007 e de 24% em 2006. Analisando o crescimento por trimestre, podemos entender o que ocorreu e porque as previsões iniciais não se concretizaram – agudização da crise econômica ao longo do ano teve forte incidência no nível de emprego e de consumo, com reflexos imediatos também nas vendas on line. O 1º trimestre de 2008 apresentou um crescimento de 13,3%, que evoluiu sucessivamente para 8,7% e 4,6% no 2º e no 3º, atingindo no último trimestre do ano um decréscimo de 4,9%. O primeiro da História do e-commerce norte-americano.

 

As principais categorias atingidas foram as de Software, Música e Filmes, Suprimentos para Escritório e Produtos de Joalheria e Relógios, todos com uma redução de mais de 10%. Os produtos eletrônicos e computadores, que concentraram o crescimento no último período, não cresceram ou obtiveram leve redução.

 

A estimativa do eMarketeer, frente a este quadro preocupante, é de um decréscimo em 2009 de 0,5%.  Acreditam que essa reversão frente aos números muito piores do 4º Trimestre de 2008 virá através da migração de clientes de lojas físicas que irão buscar melhores condições na web. Já a partir de 2010 espera-se uma recuperação do crescimento, atingindo o percentual de 10% de incremento, com a continuidade da recuperação nos anos subseqüentes até 2012.

 

Na Europa os números apresentados foram bem melhores – o e-commerce francês cresceu 29%. Obtiveram um incremento de quase de 10% de pessoas que compram on line, muito substancial. É grande o otimismo entre os “players” locais, com mais de 45% indicando que não previram reduções das vendas para o ano após o advento da crise. Também relataram que os principais indicadores em 2008 foram muito positivos, como o aumento do ticket médio e das taxas de conversão. No Reino Unido o crescimento foi bom, chegando a 28%, embora a estimativa para 2009 seja de um aumento bem mais modesto, de cerca de 14%.

 

No Brasil, com o crescimento de 2008 de cerca de 30%, há que se avaliar ainda os efeitos da crise econômico nas vendas e na evolução do comportamento do consumidor. Não tenho ainda os números do primeiro bimestre de 2009, embora fontes do mercado tenham indicado forte reversão em relação ao último e preocupante bimestre do ano, que deu um susto em muita gente. Fala-se de um retorno ao crescimento de dois dígitos, o que indicaria a continuidade dos fatores chaves que marcaram o ano passado, ou seja, o aumento do ticket médio – alicerçada no consumo de eletrônicos, e o ingresso de novos consumidores on line.

 

Em minha opinião, aos fatores estruturais da economia brasileira, menos afetada que as dos países do primeiro mundo, junta-se o ainda elevado déficit de inclusão digital como motores centrais do crescimento do e-commerce no país. Novos players e estratégias de conquista e de retenção de clientes, par e passo com a melhoria dos níveis de serviço em um ambiente competitivo mais acirrado pela crise, poderá aumentar o nível de maturidade do setor no Brasil. A melhoria da percepção desta realidade pelos consumidores pode ser muito positiva para que mantenhamos taxas elevadas de crescimento, ainda que às custas da canibalização das vendas das lojas físicas.

Written by brunolinhares

Março 10, 2009 at 11:51 pm