Bruno Linhares

Um blog sobre Comunicação, Marketing, Filosofia e Cultura

“Novas” e “Velhas” Mídias na Internet

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novas_midias

Ironias à parte, muito se têm falado, inclusive neste espaço, sobre a contribuição das “novas mídias” para o crescimento da Internet e o desenvolvimento dos negócios através da Rede.

 

Essas “novas mídias” representam uma explicitação do caráter multidirecional inerente à web – ela própria uma nova mídia, sem aspas. A profissionalização e estruturação desses veículos, ditos sociais, demonstram o amadurecimento da indústria de comunicação dentro da Rede, que agora organiza espaços para ampliar a participação e aprimorar a comunicação dos seus usuários e busca construir relações econômicas sobre tais esforços.

 

E talvez esse – obter valor e relações comerciais – seja o desafio do momento e toda a discussão atual faça parte da elaboração conceitual e das tentativas práticas desta construção. No entanto e apesar do amplo crescimento de sua utilização, neste capítulo as “novas mídias” ainda perdem feio para os “velhos” veículos.

 

E um dos mais velho – o email marketing – dá incríveis sinais de vitalidade, apesar do crescimento do “spam”. Em recente pesquisa realizada pela Epsilon e a Roi Research no mercado norte-americano, verificou-se que 57% dos clientes têm impressão positiva de empresas que lhes enviam email após a realização de compras. Desses, 40% consideram que o recebimento de tais informações pode influenciar suas próximas compras. Por último, a informação mais animadora : 84% gostam de receber emails de empresas em que se registram, mesmo que não os leiam ou os considerem ao realizar suas compras pela Internet.

 

O notável é que a eficácia do email para “branding” e para vendas está erigida sobre a mesma necessidade de relacionamento que explica o sucesso dos acessos aos veículos sociais. As marcas continuam a utilizar com sucesso este método, cujas regras essenciais são a permissão, a relevância e a pertinência das mensagens, neste caso, unidirecionais.

 

O desafio da exploração da mídia social é bem mais complexo, já que a comunicação neste caso tem duas mãos e os interesses dos usuários são basicamente sociais e não comerciais. Em recente pesquisa realizada pelo Banco JPMorgan, verificou-se que 78% dos usuários de redes sociais desejam manter-se em contato com amigos, 50% procuram retomar velhas amizades, 37% compartilham fotografias e 30% pretendem conhecer novas pessoas.

 

Outro interessante estudo, elaborado pela Forrester, identificou os diferentes papéis desempenhados na criação do conteúdo nos espaços sociais da web. Os internautas podem ser classificados como “Criadores” de conteúdo, “Críticos”, que respondem à conteúdos originais, “Colecionadores”, que ajudam a agregar e organizar conteúdo, através de RSS, Tags ou votos, “Aderentes”, que se circulam em torno das comunidades sociais e “Expectadores”, que consumem conteúdo mas que não participam publicamente do debate.

 

Compreender e aprofundar o conhecimento sobre como se comportam os usuários e consumidores no ambiente social é muito importante. Os estudos e pesquisas como os citados, acrescidos de experiências práticas realizadas, permitirão a identificação de um panorama desta nova etapa da história da Internet.

 

A partir do quadro formado, em minha opinião, o desafio dos profissionais da Internet deve se concentrar em três eixos – (1) a definição de parâmetros éticos e socialmente aceitáveis para compartilhar estes espaços com os usuários, (2) a construção conceitual e tecnológica de instrumental para identificar em que locais e em que momento as marcas podem e devem participar da comunicação e (3) quais mensagens e que formatos de campanha são coerentes com a dinâmica e as premissas das mídias sociais.

 

Parte dessas definições já pode ser vislumbrada nas experiências mais bem sucedidas nos veículos sociais. Da mesma forma que as premissas e as práticas já foram consolidadas para o email marketing – notem que existem diferenças substanciais em relação aos antigos métodos para marketing direto – teremos um período de aprendizado, amadurecimento e estabilização na utilização comercial das mídias sociais.

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Written by brunolinhares

Fevereiro 26, 2009 às 1:06 pm

2 Respostas

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  1. Acredito que a necessidade das organizações de participarem das conversações online obriga, até um certo ponto, a uma profissionalização na criação, gestão e monitoramento do conteúdo.

    Sobre isso, também escrevi em meu blog: http://mlonlinegeneration.wordpress.com/2009/05/06/profissionalizar-ou-nao-a-criacao-de-conteudo-nas-redes-sociais/.

    Abraços,
    Stelleo Tolda
    http://WWW.mercadolivre.com.br/mlog

    Stelleo Tolda

    Maio 6, 2009 at 10:20 pm

    • Stelleo,

      Esta é uma discussão muito interessante sobre profissionalização e a criação “amadora” do conteúdo. Em minha opinião, temos duas realidades distintas.

      Para as empresas, tenho ampla concordância com você: a existência de redes sociais e a crescente participação dos usuários obrigam as marcas a profissionalizarem a gestão da relação com os clientes neste ambiente e claro, a criação de seu próprio conteúdo. Acessei seu blog e você abordou um aspecto importante – não há não como “desintermediar” a relação quando falamos da participação das marcas e é utópico imaginar uma relação auto-regulada pelos próprios clientes.

      Por outro lado, se falarmos em Comunicação Social no sentido mais amplo, é altamente salutar a construção de espaços que não são geridos por jornalistas remunerados. É contra a existência desses espaços, em nome da “profissionalização”, que o Andrew Keen, entre outros, brada contra o “amadorismo”, com argumentos altamente elitistas. O nosso próprio debate aqui é uma prova da validade do desenvolvimento do conteúdo pelas pessoas “comuns”. Sim, nós somos profissionais de Marketing e autamos profissionalmente na Internet, eventualmente com uma formação mais especializada, mas ainda assim apoiamos como cidadãos, em nossos blogs e debates na web, o desenvolvimento de mecanismos de Comunicação Social alternativos à Grande Mídia.

      Agradeço a tua participação e espero pela continuidade desse debate. Vou lançar um questionamento do livro do Andrew – O Culto do Amador – aqui no blog e apreciaria a sua opinião.

      Um abraço,

      Bruno Linhares

      brunolinhares

      Maio 7, 2009 at 1:20 pm


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