Bruno Linhares

Um blog sobre Comunicação, Marketing, Filosofia e Cultura

Archive for Outubro 2008

Conteúdo, Comunidade e Comércio (Microsoft e o Futuro)

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A visão da Microsoft sobre o futuro – ou pelo menos aquilo com que os “caras de Seattle” querem nos brindar – foi revelada em evento recente para um grupo de publicitários, empreendedores e executivos atuantes na web brasileira.

 

Steve Ballmer, CEO Mundial da gigante, e Bruce Woolsey, Diretor na área de “Advertising Solutions”, através de curtas palestras buscaram nos dar pistas de por onde anda o pensamento e a ação da Microsoft para o próximo período.

 

Entre alfinetadas ao seu rival do ramo de buscas e loas de otimismo, apesar da crise em uma semana de cataclisma nas bolsas mundo afora, vaticinaram profundas transformações nos próximos dez anos.

 

O leitor poderia dizer –  e daí ? Isto eu também sabia … Mas o mais importante é refletir sobre as propaladas mudanças, já que, com o poder do monopólio, há muita chance de que parte dessas previsões efetivamente venham ocorrer, inclusive por conta dos valores empenhados em seu orçamento para Pesquisa & Desenvolvimento nos laboratórios de Seattle.

 

Vou me eximir de comentar a mais bombástica declaração – “em dez anos toda a mídia será digital”, dado o longo debate que já cerca o tema. Tipicamente norte americano comentário, desses que dá as costas às centenas de milhões de terráqueos despossuidores de acesso ao ambiente digital, aí incluída a TV, que será a ponta de lança, em minha opinião, da futura inclusão digital dos muito excluídos.

 

Mas um tema interessante, do ponto de vista ético, é o da confluência entre Conteúdo, Comunidade e Comércio. É um fenômeno já claramente perceptível e segundo a visão da dupla, a intensificar-se de forma vertiginosa nos próximos anos. Algumas reflexões e comentários se impõe.

 

A boa prática publicitária de transparência da mensagem, de sua origem e caráter se esvanece quando a autoria passa a ser “comunitária”. A relevância a ser obtida a partir do conhecimento dos hábitos e intenções de consumo também transforma o “advertising” em notícia. A seletividade do fornecimento do conteúdo somado ao maior controle dos consumidores sobre os meios de divulgação, a um clique de distância ou a uma tecla da pausa, ensejam um novo paradigma para as técnicas de comunicação.

 

Claramente a sociedade está despreparada para regular o potencial de manipulação e impor limites éticos à esse novo panorama, como já o consegue finalmente realizar na arena da publicidade tradicional. A bola está ainda com os profissionais da área.

Written by brunolinhares

Outubro 18, 2008 at 6:43 pm

Publicado em Internet e o futuro

Um banner atrás das grades : a criminalização das relações sociais

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Você está preso ! Você tem o direito de permanecer calado. Qualquer coisa que disser pode ser utilizado ….

 

Esta seria sua reação frente a uma peça publicitária veiculada na web ? Pois saiba que é uma possibilidade concreta, aberta a partir do novo clima no qual estão envoltas as relações sociais e da qual não escapam as referentes à comunicação e ao consumo.

 

A possibilidade de instauração de um inquérito de natureza criminal a partir de uma reclamação de um consumidor, pretensamente lesado por uma dúbia interpretação ou um erro na criação de um simples banner da web é uma realidade. Eu sei, fui vítima, ou melhor, “acusado” em uma situação similar, o que me tirou o sono por semanas, até a conclusão, no meu caso satisfatória, do affair.

 

A lógica estabelecida pela criminalização das diferenças entre as pessoas e das disputas no seio da sociedade é a mesma que leva milhões de pessoas a serem encarcerados nos EEUU pelos mais diversos crimes, muitos dos quais sem tal caracterização em outros países. Em última instância, estamos observando a elevação do nível de intransigência e a dificuldade de construção de consensos e da mediação de conflitos no tecido social, mundo afora.

 

Os procedimentos legais no qual o rito transcorre só tem o objetivo de legitimar as medidas regulatórias da força. O uso excessivo da força é necessário por que não parece mais possível encontrar pontos em comum frente aos interesses particulares em jogo. Os excessos têm a sua caricatura nas risíveis medidas de criminalização do cotidiano.

 

No Brasil, essa discussão é particularmente complexa porque existe uma longa tradição de impunidade. Os ricos e poderosos sempre se mantiveram à salvo da regulação social, com o mandonismo e a arbitrariedade substituindo mecanismos republicanos de justiça.

 

Parecem “justas” as medidas rigorosas, de forma que a lei passe a valer para todos. O que é correto e necessário, na opinião deste articulista, que não comunga com o horror de certas camadas frente à ação, em particular da Justiça Federal, para coibir crimes de “colarinho branco” e contra a economia popular.

 

Mas também em nosso país as tendências ao individualismo e ao espetaculoso animam afoitos diferenciados à atitudes irresponsáveis e demagógicas. Como a de enxergar crimes onde só existem interesses diferenciados.

 

Written by brunolinhares

Outubro 10, 2008 at 3:22 am