Bruno Linhares

Um blog sobre Comunicação, Marketing, Filosofia e Cultura

Contracultura e Internet

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Na comemoração dos 40 anos do ano de 1968, volta à baila a discussão da “contracultura”. O aniversário do ano que não terminou enseja a visitação a um dos aspectos mais instigantes da história da cultura das últimas décadas : a celebração das utopias no cotidiano, tentativa febril de uma parcela  juventude (e de outros não tão jovens) de viver na prática um outro modo de vida e de arte.

 

Do ponto de vista do pragmatismo reinante atualmente, as propostas éticas e estéticas daquela época podem parecer ao mesmo tempo pretensiosas e ingênuas.  Mas sua radicalidade expressa no fundamental uma ruptura com uma ordem que combinava o pior do conservadorismo, da repressão e da dubiedade moral. Apresentava um novo olhar que em muitos aspectos é aceito e adotado cotidianamente na sociedade contemporânea.

 

No contexto das comemorações, é notável a participação dos “releitores” da utopia. Em especial, a de um afamado personagem, “neé” candidato a prefeito de uma importante capital e lembrado por sua participação política naquele período. Esse senhor afirma que a herança da contracultura atualmente se articula … na web.

 

Os que vivem da e trabalham na web, sabem quanto é tola essa afirmação. O espaço da internet, como pude observar em outros artigos, traz em si uma nova proposta multidirecional inédita, mas ainda assim é um eixo de negócios e de comunicação e não uma proposta cultural e política.

 

É uma plataforma  que serve como meio para a difusão de mensagens publicitárias, venda de produtos, comunicação de notícias, rede de contatos e de encontros. A internet é tão alternativa hoje como o mimeógrafo o foi para a geração de poetas udigrudi – ou seja, absolutamente nada representa além de um artefato técnico e neutro.

 

Menos avisados, como o candidato em questão, confundem a aura de novidade e pioneirismo que cercou o lançamento da internet e a acompanhou por esses poucos anos de existência com algum  significado transcendentemente cultural.

 

Os pioneiros da aviação ou da prensa, os primeiros mecânicos de automóveis ou  radialistas de primeira hora também tiveram o privilégio de participar de importantes mudanças tecnológicas, avanços fundamentais para a humanidade. Mas nem por isso foram elencados como os transformadores diretos dos paradigmas culturais de sua época. Esses são outros. Mais dificilmente reconhecidos pelo “status quo” no primeiro momento.

 

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Written by brunolinhares

Junho 19, 2008 às 2:45 am

Publicado em Cultura

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