Bruno Linhares

Um blog sobre Comunicação, Marketing, Filosofia e Cultura

Critérios Sociais para a Relevância

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relevancia.jpg O oráculo contemporâneo tem, de forma análoga ao seu antecessor mitológico, obscuros critérios para a escolha de suas respostas. Aos que buscam informações no Google ou no Yahoo, milhares de possibilidades de retorno são oferecidas.  

Mas sabe-se que os internautas chegam, no máximo, à terceira página de navegação. Então ficar na primeira página é essencial aos que buscam relevância na rede. Como e porque são escolhidos os felizardos é considerada hoje como uma questão interna da empresa que fornece o mecanismo da busca. Que também comercializa, através dos links patrocinados, um atalho. Por certo, pode-se pagar pela relevância. 

Interessa ao conjunto da sociedade o critério “natural” da ordenação relevante – o oligopólio atual transfere para poucos um poder extraordinário. As possibilidades de manipulação em larga escala, a censura sistemática e a construção de uma unificação inédita do discurso podem hoje parecer fantasiosas, mas a experiência histórica acumulada demonstra aonde pode-se chegar na tentativa de influenciar corações e mentes. 

A questão colocada é como a sociedade pode influenciar, auditar, normatizar e até mesmo gerir os critérios de relevância. A “wiki” esfera tem apresentado algumas propostas, de forma vaga : caberia aos usuários da rede a definição da relevância, com mecanismos geridos, é claro, por eles próprios, em seu próprio mecanismo de busca. Mas essa forma “censionária”, também objeto de manipulação e dificilmente auditada em minha opinião não responde a essa difícil questão. 

Além da complexidade técnica, há desafios políticos e institucionais – a saída deve ser global, envolvendo órgãos governamentais representativos e instituições da sociedade civil. Como as soluções de busca são “produtos”, originados nas condições de mercado através de empresas privadas com atuação global, não vejo outra possibilidade que não  a alternativa da certificação.  Ou seja,que órgão regulador, com abrangência e representatividade internacional, com composição ampla e plural, possa através da avaliação e certificação dos processos de busca, tranqüilizar e tornar claro aos consumidores de que critérios objetivos e imparciais são os considerados na definição das respostas às suas perguntas. 

É importante que essa discussão avance. Já passamos de 1984 há muitos anos, mas o “Big Brother” ainda pode estar na casca do ovo de alguma serpente virtual.

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Written by brunolinhares

Março 15, 2008 às 10:06 pm

Publicado em Comunicação e Busca

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