Bruno Linhares

Um blog sobre Comunicação, Marketing, Filosofia e Cultura

Nós, os Macacos (ou como blogs, MySpace, Youtube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores)

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A polêmica sobre o futuro da comunicação e os impactos causados pela ampliação da participação dos usuários na criação de conteúdo continua intensa. A opinião de jornalistas, profissionais especializados em Internet e, agora, atuantes da “blogsphera” enriquecem o debate, que ganhou cores dramáticas a partir da crise da mídia impressa com o desaparecimento – principalmente nos EUA – de vários veículos tradicionais e importantes.

 

Publicado há mais de dois anos, agora chega ao Brasil o controverso livro de Andrew Keen, com o sugestivo nome de “O Culto do Amador – como blogs, MySpace, Youtube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores”.

 

Li o livro, na versão publicada pela Zahar no Brasil, com atenção e cuidado que merece. Devo classificá-lo como uma peça de um momento muito particular na História recente – é um livro da era G. W. Bush (foi publicado em 2007, nos EUA), marco do pensamento conservador em diversos campos do conhecimento e da ação política e institucional ocidental. É, como explícito no próprio título, um libelo em defesa da “economia, cultura e valores” tradicionais norte-americanos, o que quer que isto venha a significar neste momento em que tudo balança a partir dos efeitos da crise econômica.

 

O livro se compõe a partir de alguns axiomas essenciais: (1) A “democratização” representada pela participação pública na criação do conteúdo coloca em risco os padrões culturais, os valores morais e as instituições que produzem notícias e a mídia “livre”; (2) Esta derrocada seria causada pela substituição dos “especialistas” que produzem o noticiário e a crítica, assim como os produtores de cultura de maneira geral, que passam a ter o seu espaço ocupado por amadores que invadem com mensagens fracas, distorcidas e indevidas os corações e a mente dos usuários; (3) Não há modelo econômico viável para a difusão de informações na Internet, o que irá causar a destruição das empresas de comunicação e a demissão de profissionais, deixando a sociedade a mercê da ação dos amadores; (4) A inexistência de proteção quanto aos direitos autorais de obras em geral – música, filmes, livros – na Internet também irá propiciar um rebaixamento sem precedentes do nível da produção artística e cultural.

 

O autor identifica a causa de todo o “Mal”: é a “Web 2.0”, termo muito em voga na época do lançamento do livro. Na verdade, Keen mistura uma série de fatores, problemas, tendências e questões para construir um modelo ideológico “anti Web 2.0” no melhor estilo de “evangelistas” dedicados a combater um poderoso inimigo. Que este inimigo não tenha uma face real nem contornos precisos só demarcam o caráter do discurso apresentado. Alguns conservadores, sejam os de origem religiosa ou política, buscam “demonizar” atitudes ou comportamentos que discordam e demonstram o medo profundo de transformações decorrentes de fatores econômicos, sociais ou tecnológicos. É neste tipo de quixotismo que o pensamento de Keen se inscreve.

 

Mas não o quixotismo cândido do herói “De La Mancha” – seu discurso está eivado de um profundo elitismo e de grave preconceito. Já na Introdução, o autor lança uma metáfora que irá seguir-nos durante todo o livro – a dos macacos, tomado emprestado de T.H.Huxley. O biólogo, avô de Aldous Huxley, teria lançado um teorema segundo o qual seria possível a criação de uma obra prima se fosse fornecido um número infinito de máquinas de escrever para um número infinito de macacos. Pois chegamos ao paralelo com a situação de hoje : “A mídia antiga está ameaçada de extinção … o que tomará o seu lugar serão os novos e incrementados mecanismos de busca, os sites de redes sociais e os portais de vídeo da Internet”. Logo, “os macacos assumem o comando. Diga adeus aos especialistas e guardiões da cultura de hoje … os macacos é que dirigirão o espetáculo”.

 

À idealização da “pureza” de intenções e a qualidade intrínseca dos veículos da grande mídia, soma-se o preconceito contra a criação do conteúdo por pessoas que não tem relações de trabalho com este tipo de organização. É colocado intencionalmente no mesmo saco um conjunto muito diferente de mensagens postadas por usuários, sejam as comunicações particulares entre pessoas e grupos, os blogs de cronistas independentes, os veículos desenvolvidos por organizações jornalísticas que atuam na Internet e os espaços criados por grupos de interesse específico.

 

Para Keen, não existe manipulação e tráfico de interesses nos veículos da mídia tradicional, já que os “sábios” que as dirigem são imunes a estes fatores ou criaram mecanismos de proteção muito adequados. Também não foram identificados graves problemas de qualidade no conteúdo dos veículos off line. No mundo róseo do passado, temos profissionais impolutos e bravos defensores da cultura e dos valores tradicionais, com sua neutra, não ideológica, edificante e economicamente válida criação de conteúdo. Na Internet atual, pululam “macacos”, com suas mensagens tolas e vazias ou factualmente erradas e intencionalmente distorcidas. Já não ouviram isto, de outra forma, em outro contexto?

 

Se devemos perceber o quanto a marcação ideológica condiciona o conjunto da obra, vale a pena, sob uma ótica menos “enquadrada” discutir uma série de fatos e problemas abordados. Tanto o modelo econômico a ser desenvolvido para sustentar os veículos de comunicação, como o problema da ética e dos riscos da manipulação e sem dúvida a questão dos direitos autorais necessitam da articulação entre a sociedade civil, os “players” de mercado e as autoridades para que sejam equacionados. Porque toda a transformação tecnológica ou econômica de caráter profundo traz conseqüências para a vida das pessoas e para o funcionamento da sociedade. Discutir e tratar essas questões, de preferência com um olhar aberto e a mente livre, podem ajudar a tornar seus efeitos mais benéficos e positivos.

Escrito por brunolinhares

Maio 11, 2009 em 5:38 pm

Irá a Internet eliminar o Jornalismo ?

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A crise econômica, somada ao crescimento da Internet, lança os jornais e revistas em uma crise sem precedentes. Isto se verifica principalmente nos Estados Unidos, onde nos últimos meses um número assustador de veículos encerrou suas atividades.

 

A causa imediata é a redução das despesas dos anunciantes em jornais, que nos EEUU sofreram uma queda de 16,6% da receita publicitária em 2008, se comparado com o ano anterior. Já em suas versões on line a redução foi de 1,8%, bem menor do que em suas edições impressas – contemplados com um decréscimo de 17,7%, segundo as informações fornecidas pela Newspaper Association of América.

 

Mas, para além da aguda crise econômica, essencialmente o fenômeno se caracteriza com uma redução drástica de leitores da mídia impressa, principalmente os mais jovens, que recorrem cotidianamente à Internet como fonte de informação. E o fazem gratuitamente.

 

Essa crise não ocorre exclusivamente nos EEUU. Embora no Brasil, segundo dados fornecidos pelo IAB/Brasil, os jornais tenham tido um crescimento de 10% em suas receitas publicitárias em 2008, mundo afora os meios jornalísticos vivem um período de forte apreensão.

 

Todo esse nervosismo que atinge as redações e assola os gabinetes de direção, já extravasa para as ruas como uma polêmica sobre alternativas para superação da crise. Através das páginas dos veículos impressos e também pela Internet.

 

Em fevereiro deste ano, Walter Isaacson, ex-editor da Revista Times, apregoou em artigo (que li gratuitamente na Internet : http://www.huffingtonpost.com/walter-isaacson/a-bold-old-idea-for-savin_b_164039.html) a necessidade de revisão do modelo de negócios dos atuais jornais on line, que deveriam passar a cobrar pelo conteúdo. Faz um paralelo com produtos de consumo, como a música vendida através do iTunes ou os livros digitais da Amazon. Preocupa-se Isaacson com o futuro do Jornalismo, que seria inviabilizado sem a ampliação das fontes de receita, sinalizando grave perigo para a democracia e o “american life style”. O jornalista também se preocupa com a isenção do conteúdo, colocada em risco com a ampliação da dependência para os anunciantes, única fonte de receita pelo atual modelo.

 

No final de Março, durante um seminário realizado pela FGV-RJ, a mesma polêmica posição aparece através de Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Estadão. Para Gandour, a melhor alternativa é o fechamento das edições on line, que deveriam passar a ter seu conteúdo cobrado dos internautas. No que foi contraposto pelo Diretor de redação de O Globo, Rodolfo Fernandes, que diz não acreditar que os usuários iriam aceitar esses novos encargos.

Em minha opinião, temos uma clássica crise de modelo, causada pelas profundas transformações tecnológicas que estamos acompanhando. As necessidades básicas de difusão da informação e de idéias não só permanecem como se acentuam a partir da construção da “Aldeia Global”, agora claramente configurada. O número de consumidores de informação tem crescido e passam a ter acesso a uma ampla gama de alternativas para obter notícias e entretenimento através da web e de outros meios virtuais.

 

O que ocorreu foi a ampliação do acesso aos meios de difusão. Se antes para emitir mensagens que pudessem chegar a milhares de pessoas, se não a milhões, era necessário um aparato material oneroso e complexo, agora os criadores de conteúdo têm à sua disposição diversos meios simples de divulgação. Os sites especializados ou alternativos, os blogs e microblogs, as mídias sociais, os comentários e recomendações em veículos e espaços da web, as “velhas” redes por email estão aí e são usadas por centenas de milhares de pessoas para transmitir o que desejam e são acessadas por dezenas de milhões de interessados.

 

Justamente por esta perda de controle sobre os meios de difusão, será impossível para os veículos criar um modelo de cobrança.  A Internet tem essa característica de gratuidade, impressa em seu DNA. Seria suicídio para os grandes veículos, como bem percebeu Fernandes.

 

Por ridículo que pareça a proposta de Isaacson, principalmente quando defende a extensão da cobrança para o conjunto dos veículos da Internet, inclusive blogs, parte de suas preocupações são relevantes. Como manter uma estrutura que garanta a qualidade da informação e a abrangência da cobertura ? Como blindar a mídia contra eventuais pressões de anunciantes e patrocinadores ? Mas essas não são questões exatamente novas, e tais riscos não ocorrem somente quando a receita vem, na maior parte, de anunciantes.

 

Um novo modelo está sendo gestado. Outra configuração para os meios de informação ganhará corpo. Suas características serão a maior dispersão dos criadores de conteúdo e a ampliação da participação do publico nesta criação. Seu contorno e suas características, inclusive quanto aos formatos de sustentação financeira, ainda não podem ser totalmente vislumbrados, mas teremos surpresas e novidades. A Humanidade tem passado por isto há séculos, em toda transformação tecnológica de peso. Só uma coisa me parece claro – o Jornalismo e a difusão da informação não irão acabar, muito pelo contrário. 

Escrito por brunolinhares

Abril 15, 2009 em 6:33 pm

Porque a Internet representa tão pouco nos investimentos publicitários do Brasil ?

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Fomos brindados nas últimas duas semanas com informações diferenciadas sobre a participação da Internet nos investimentos publicitários no país. Segundo o IAB – Interactive Advertising Bureaux, em 2008 os investimentos na Internet chegaram a R$ 759 Milhões, cerca de 3,5% do mercado, com  um crescimento de 44% sobre o ano anterior. 

 

Já o IBOPE divulgou que os anunciantes gastaram na web cerca de R$ 1,594 bilhão, o que representaria 2,7% do investimento total em 2008. Neste montante só são expressas as despesas em mídia gráfica, ficando de fora o dispêndio em busca (links patrocinados) e outros formatos.

 

O IAB espera ainda que em 2009 a Internet venha a abarcar 4,2% dos gastos publicitários no país, ainda distante da realidade norte-americana, que atingiu 9% em 2008, com estimativas de um crescimento para 11,5% neste ano, conforme o The Kelsey Group e o BIA Advisory Services .

 

Esta disparidade de informações e de metodologias reforça nossa avaliação sobre a  dificuldade que o mercado ainda tem ao trabalhar com a web, embora seja consenso a expectativa de um forte crescimento de sua representatividade entre as opções de mídia em 2009.

 

Comparando-se a realidade brasileira com a dos 10 países com maior investimento de mídia em Internet em 2008, conforme informações do GroupM, tem-se a exata noção de como os anunciantes mundo afora já aproveitam o espaço interativo para construir suas marcas. As impressionantes estimativas falam por si – Reino Unido, 25,6% (!!!) , Dinamarca, 22,6%, Suécia, 19,5%, Coréia do Sul, 16,6%, Noruega, 15,9%, Japão, 15,5%, Países Baixos, 15,7%, Austrália, 14%, Canadá, 14,5% e República Tcheca, 14,3%,

 

A penetração da Internet no Brasil, com 80% das classes A e B e 45% da classe C já acessando a web, é muito interessante. Hoje, ainda segundo o IBOPE, são cerca de 24,5 milhões de visitantes únicos residenciais. Por outro critério, este instituto contabilizou que cerca de 62,3 milhões de pessoas acessaram a Internet em 2008, a partir de casa ou de outros locais.

 

Se esses números no geral podem não parecer tão significativos em uma população de mais de 200 milhões de pessoas, temos que levar em conta que a realidade de concentração de renda e exclusão social no país fazem com que a participação dos internautas no consumo seja bem maior que sua representatividade demográfica.

 

Como a evolução do planeta e a utilização da tecnologia raramente seguem trajetórias lineares e tem a tendência de pular etapas, o cenário fica mais complicado quando se fala no surgimento das mídias sociais e sua utilização pelas marcas. É sabido que os brasileiros tem uma das maiores taxas de utilização dessas mídias no mundo, tendo inclusive sido precursores na popularização dos primeiros espaços sociais. Cerca de 85% dos internautas brasileiros estão freqüentando alguma mídia social. Somente o Canadá tem maior participação, com 86% plugados. Tal participação chega a 70% nos EEUU, 59% na França e somente 56% no Japão.

 

A oportunidade é imensa para os profissionais e as marcas. Vamos aproveitá-las ou também desta vez iremos ficar para trás ?

Escrito por brunolinhares

Março 24, 2009 em 8:59 pm

Últimas informações e reavaliação das perscpectivas de e-commerce em 2009

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Novas informações sobre o crescimento do e-commerce em 2008 e as perspectivas de evolução em 2009 em alguns países do 1º Mundo demonstram que efetivamente a crise econômica atinge o mundo on line.

 

Dos EEUU chegam informações mais negativas : o e-commerce cresceu somente 6% em 2008, contra um crescimento de 21% em 2007 e de 24% em 2006. Analisando o crescimento por trimestre, podemos entender o que ocorreu e porque as previsões iniciais não se concretizaram – agudização da crise econômica ao longo do ano teve forte incidência no nível de emprego e de consumo, com reflexos imediatos também nas vendas on line. O 1º trimestre de 2008 apresentou um crescimento de 13,3%, que evoluiu sucessivamente para 8,7% e 4,6% no 2º e no 3º, atingindo no último trimestre do ano um decréscimo de 4,9%. O primeiro da História do e-commerce norte-americano.

 

As principais categorias atingidas foram as de Software, Música e Filmes, Suprimentos para Escritório e Produtos de Joalheria e Relógios, todos com uma redução de mais de 10%. Os produtos eletrônicos e computadores, que concentraram o crescimento no último período, não cresceram ou obtiveram leve redução.

 

A estimativa do eMarketeer, frente a este quadro preocupante, é de um decréscimo em 2009 de 0,5%.  Acreditam que essa reversão frente aos números muito piores do 4º Trimestre de 2008 virá através da migração de clientes de lojas físicas que irão buscar melhores condições na web. Já a partir de 2010 espera-se uma recuperação do crescimento, atingindo o percentual de 10% de incremento, com a continuidade da recuperação nos anos subseqüentes até 2012.

 

Na Europa os números apresentados foram bem melhores – o e-commerce francês cresceu 29%. Obtiveram um incremento de quase de 10% de pessoas que compram on line, muito substancial. É grande o otimismo entre os “players” locais, com mais de 45% indicando que não previram reduções das vendas para o ano após o advento da crise. Também relataram que os principais indicadores em 2008 foram muito positivos, como o aumento do ticket médio e das taxas de conversão. No Reino Unido o crescimento foi bom, chegando a 28%, embora a estimativa para 2009 seja de um aumento bem mais modesto, de cerca de 14%.

 

No Brasil, com o crescimento de 2008 de cerca de 30%, há que se avaliar ainda os efeitos da crise econômico nas vendas e na evolução do comportamento do consumidor. Não tenho ainda os números do primeiro bimestre de 2009, embora fontes do mercado tenham indicado forte reversão em relação ao último e preocupante bimestre do ano, que deu um susto em muita gente. Fala-se de um retorno ao crescimento de dois dígitos, o que indicaria a continuidade dos fatores chaves que marcaram o ano passado, ou seja, o aumento do ticket médio – alicerçada no consumo de eletrônicos, e o ingresso de novos consumidores on line.

 

Em minha opinião, aos fatores estruturais da economia brasileira, menos afetada que as dos países do primeiro mundo, junta-se o ainda elevado déficit de inclusão digital como motores centrais do crescimento do e-commerce no país. Novos players e estratégias de conquista e de retenção de clientes, par e passo com a melhoria dos níveis de serviço em um ambiente competitivo mais acirrado pela crise, poderá aumentar o nível de maturidade do setor no Brasil. A melhoria da percepção desta realidade pelos consumidores pode ser muito positiva para que mantenhamos taxas elevadas de crescimento, ainda que às custas da canibalização das vendas das lojas físicas.

Escrito por brunolinhares

Março 10, 2009 em 11:51 pm

“Novas” e “Velhas” Mídias na Internet

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Ironias à parte, muito se têm falado, inclusive neste espaço, sobre a contribuição das “novas mídias” para o crescimento da Internet e o desenvolvimento dos negócios através da Rede.

 

Essas “novas mídias” representam uma explicitação do caráter multidirecional inerente à web – ela própria uma nova mídia, sem aspas. A profissionalização e estruturação desses veículos, ditos sociais, demonstram o amadurecimento da indústria de comunicação dentro da Rede, que agora organiza espaços para ampliar a participação e aprimorar a comunicação dos seus usuários e busca construir relações econômicas sobre tais esforços.

 

E talvez esse – obter valor e relações comerciais – seja o desafio do momento e toda a discussão atual faça parte da elaboração conceitual e das tentativas práticas desta construção. No entanto e apesar do amplo crescimento de sua utilização, neste capítulo as “novas mídias” ainda perdem feio para os “velhos” veículos.

 

E um dos mais velho – o email marketing – dá incríveis sinais de vitalidade, apesar do crescimento do “spam”. Em recente pesquisa realizada pela Epsilon e a Roi Research no mercado norte-americano, verificou-se que 57% dos clientes têm impressão positiva de empresas que lhes enviam email após a realização de compras. Desses, 40% consideram que o recebimento de tais informações pode influenciar suas próximas compras. Por último, a informação mais animadora : 84% gostam de receber emails de empresas em que se registram, mesmo que não os leiam ou os considerem ao realizar suas compras pela Internet.

 

O notável é que a eficácia do email para “branding” e para vendas está erigida sobre a mesma necessidade de relacionamento que explica o sucesso dos acessos aos veículos sociais. As marcas continuam a utilizar com sucesso este método, cujas regras essenciais são a permissão, a relevância e a pertinência das mensagens, neste caso, unidirecionais.

 

O desafio da exploração da mídia social é bem mais complexo, já que a comunicação neste caso tem duas mãos e os interesses dos usuários são basicamente sociais e não comerciais. Em recente pesquisa realizada pelo Banco JPMorgan, verificou-se que 78% dos usuários de redes sociais desejam manter-se em contato com amigos, 50% procuram retomar velhas amizades, 37% compartilham fotografias e 30% pretendem conhecer novas pessoas.

 

Outro interessante estudo, elaborado pela Forrester, identificou os diferentes papéis desempenhados na criação do conteúdo nos espaços sociais da web. Os internautas podem ser classificados como “Criadores” de conteúdo, “Críticos”, que respondem à conteúdos originais, “Colecionadores”, que ajudam a agregar e organizar conteúdo, através de RSS, Tags ou votos, “Aderentes”, que se circulam em torno das comunidades sociais e “Expectadores”, que consumem conteúdo mas que não participam publicamente do debate.

 

Compreender e aprofundar o conhecimento sobre como se comportam os usuários e consumidores no ambiente social é muito importante. Os estudos e pesquisas como os citados, acrescidos de experiências práticas realizadas, permitirão a identificação de um panorama desta nova etapa da história da Internet.

 

A partir do quadro formado, em minha opinião, o desafio dos profissionais da Internet deve se concentrar em três eixos – (1) a definição de parâmetros éticos e socialmente aceitáveis para compartilhar estes espaços com os usuários, (2) a construção conceitual e tecnológica de instrumental para identificar em que locais e em que momento as marcas podem e devem participar da comunicação e (3) quais mensagens e que formatos de campanha são coerentes com a dinâmica e as premissas das mídias sociais.

 

Parte dessas definições já pode ser vislumbrada nas experiências mais bem sucedidas nos veículos sociais. Da mesma forma que as premissas e as práticas já foram consolidadas para o email marketing – notem que existem diferenças substanciais em relação aos antigos métodos para marketing direto – teremos um período de aprendizado, amadurecimento e estabilização na utilização comercial das mídias sociais.

Escrito por brunolinhares

Fevereiro 26, 2009 em 1:06 pm

No futuro, todas as mídias serão sociais ?

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A provocativa questão foi lançada em recente artigo de autoria de Doug Schumacher, presidente e diretor de criação da Basement Inc – uma agência de marketing interativo da Califórnia, EEUU.

 

Doug desfila sérios argumentos em defesa desta tese e se baseia na explosão da participação de internautas na web – 82 milhões de norte-americanos criam algum conteúdo na web em 2008, cerca de 42% de internautas daquele país – e na evolução dos formatos de TV Digital e TV pela Internet, com todas as características de interatividade que agregam.

 

Na maioria das mídias on line, se não na totalidade, a participação dos usuários terá lugar, de uma forma ou de outra. Já há indícios que o próprio Google, com seus obscuros critérios de relevância, pode realizar mudanças em seus mecanismos de priorização. O fenômeno das resenhas e comentários, já chegaram ou estão chegando em todos os veículos relevantes, com os conhecidos impactos, positivos e negativos, no mais delicado dos momentos, o da etapa final do funil de conversão.

 

Os casos reais de participação social nos espaços de TV pela Internet – os sites “Watch & Chat” da CBS.com em http://www.cbs.com/socialroom/ ou View2gether.com, da NBC.com  em  http://www.view2gether.com/ apresentados como exemplos, ainda são tímidos mas nos permitem vislumbrar que uma outra atitude menos passiva é possível também na TV. Uma nova atitude dos tele-expectadores, caso típico de comunicação de mão única, pode ser esperada para um futuro breve.

 

Afirmações absolutas à parte, o que se coloca para os profissionais, que atuam no mercado de e-business ou não, é de que maneira e sob que paradigmas serão construídas a comunicação das marcas neste novo ambiente cultural.

 

A questão das mídias sociais e de seu uso é só um elemento de uma questão muito maior. A velocidade das transformações, neste amadurecimento da mídia Internet, e as novas atitudes das pessoas em informação, entretenimento e consumo tornam urgente uma revisão das táticas e estratégias utilizadas pelo mercado.

 

Uma série de erros vem sendo cometida, seja por total descompasso com esta nova realidade, seja por bem intencionados esforços mal direcionados. Mas também já podemos contar com uma gama de excelentes ações com sucesso, que vislumbram o caminho futuro.

 

A máxima interatividade, a conexão com a audiência e o convite à participação representam, em minha opinião, a pedra de toque do novo paradigma a ser construído.

 

Um bom e simples exemplo encontramos no “case” da companhia de aviação Virgin América, que convidou um articulista do site social Boingboing para experimentar seus serviços no vôo inaugural entre Los Ângeles e São Francisco. O resultado foi um excelente artigo (http://www.boingboing.net/2007/08/08/getting-high-with-ri.html), que atinge os 3 milhões de pessoas que regularmente acessam o site. Ação típica de Assessoria de Imprensa ? Sem dúvida, mas não vimos nada disto no Brasil no lançamento da Companhia Aérea Azul, por exemplo, que tem a grande maioria de seu público alvo on line.

 

Outro exemplo de boas práticas, este no Brasil, está na estratégia do Wal Mart de concursos de participação do usuário, desde o lançamento da sua operação na web. Esta tática, também implementada pela equipe da CASA&VIDEO em 2008, se encarada com seriedade e continuidade, sem cair em tentações oportunistas, propicia um real engajamento de uma parte do público, principalmente de jovens, com a marca.

 

Os esforços e a criatividade dos profissionais responsáveis pelas marcas permitirão superar o desafio de um ambiente mais livre e participativo no mundo da comunicação. O essencial é que as pessoas estejam abertas para uma nova atitude, que alie a transparência à ousadia, o bom senso com a fina observação da realidade das pessoas comuns.

Escrito por brunolinhares

Janeiro 29, 2009 em 2:35 pm

Para além dos banners : a internet como mídia relevante

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A Internet é a 3ª mídia de maior relevância para os principais mercados do mundo, segundo estudo realizado pela Consultoria Deloitte em Setembro e Outubro de 2008.

 

No Brasil, 45% dos consumidores que participaram da pesquisa indicaram que sofrem influência da Internet em suas decisões de compra. Acima deste patamar de relevância, somente as revistas, com 57% e a TV, com 75% de influência. Tal situação, com diferentes percentuais, se repete nos EEUU, Reino Unido, Japão e Alemanha.

 

A questão recorrente, já abordada por mim em artigos anteriores, é de porque o mercado publicitário tem investimentos tão tímidos na mídia Internet em nosso país.

 

Uma explicação imediata é a do próprio nível do desenvolvimento do mercado, dada fragilidade de conhecimento e competência específica de anunciantes e agências. Embora bastante mencionada, com o aumento da qualificação dos profissionais e o próprio crescimento e evolução da Internet, esta desculpa torna-se a cada dia menos relevante.

 

O caráter multidirecional da Internet, com os desafios que impõe ao planejamento de ações, assim como as características dos espaços publicitários, ainda à busca de amadurecimento para oferecer ao mercado maior leque de opções de comunicação, são também entraves para o crescimento da utilização preferencial da Internet como meio de comunicação de marcas.

 

A própria Internet sofre constantes mutações, fruto não só do desenvolvimento tecnológico – a ampliação das bandas, por exemplo – como do contínuo surgimento de novas opções, principalmente devido ao pouco amadurecimento dos atuais formatos. O rádio e a TV, em seus primórdios, também tiveram seu tempo “heróico”, até atingiram a relativa estabilidade atual.

 

Neste período, é exigido um aprendizado contínuo e podem ser esperados  eventuais erros e descaminhos nos investimentos – quem se lembra do “Second Life” ? Neste cenário cambiante pode parecer para anunciantes, profissionais e agências muito tentadora uma posição de conservadorismo, principalmente em tempos de vacas magras.

 

Mas para mim o crucial é o fato de que os métodos de comunicação no mundo on line tem substanciais diferenças em relação à mídia off line. E é necessário tempo e esforço para sua maturação. É preciso repensar e redefinir alguns paradigmas de comunicação para explorar com profundidade o potencial da web. A forma de planejar campanhas e o formato de apresentação de produtos e marcas devem sofrer alterações importantes de forma a ocupar o espaço pouco explorado já disponível.

 

A principal motivo é que o usuário apresenta uma atitude diferente na web, basicamente devido à possibilidade de participação e à interatividade. O internauta é um pólo ativo na sua relação com a rede e seus diversos componentes. A necessidade de  engajar a pessoa que está do “outro lado” em uma relação faz com que o anunciante tenha a obrigação de planejar e implementar mensagens interativas que venham  fazer com que seus consumidores participem de alguma forma, se deseja obter relevância.

 

Como na Internet tudo, ou quase tudo, é mensurável, tal quadro fica evidente, principalmente quando os erros se avolumam. Intuitivamente o mercado vislumbra este panorama  e de alguma forma busca novas formas de atuação.

 

A própria pesquisa da Deloitte traz uma boa novidade – as mídias sociais (on line) já tem 8% de influência sobre os consumidores do Brasil, o maior patamar entre os 5 mercados pesquisados. Trazer as marcas, de forma ética e responsável, para um espaço eminentemente interativo e participativo já é um grande passo para encontrar respostas necessárias.

Escrito por brunolinhares

Janeiro 26, 2009 em 3:39 am

À vista, redução de receitas na Mídia Off Line

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Dois fatores se combinam para exercer uma importante pressão de redução de receitas sobre os tradicionais meios de comunicação neste ano de 2009 – o recrudescimento da crise econômica e a ampliação da utilização da Internet como meio de comunicação.

 

Agora, os anunciantes contam com outros formatos relevantes para comunicar suas marcas e ações através da Internet, já fora dos limites iniciais antes vigentes na web. Vídeos On Line, Mídias Sociais e a ampliação da interatividade (rich mídia) nas peças gráficas, junto com os já “tradicionais” anúncios em buscas, serão as vedetes de 2009 em termos de crescimento dos investimentos das marcas na web.

 

Nos EEUU, a partir dos dados coletados pelo e-Marketeer, tais mídias concentrarão a ampliação dos orçamentos dos anunciantes na web, contra uma redução em outros formatos digitais. Com investimentos limitados pela crise econômica, perdem ainda mais os veículos off line e, pior, também seus sucedâneos no espaço da rede.

 

É o caso das receitas publicitárias dos jornais on line norte-americanos, que já a partir do 2º quadrimestre de 2008 apresentaram uma queda de receita em relação a igual período de 2007. Essa reversão de expectativas pode vir a demonstrar o esgotamento do formato mais tradicional de comunicação de notícias, agregando maior gravidade a uma crise que se arrasta já há algum tempo.

 

A Televisão, devido aos limites tecnológicos ainda existentes e à própria resposta que representa a TV digital, ainda não apresenta o mesmo quadro de dificuldades. Mas indícios importantes de que o comportamento dos consumidores de entretenimento e notícias pode mudar tambem para nesta mídia já podem ser percebidos.

 

No Brasil, por exemplo, já é maior o número de internautas do que de assinantes em TVs fechadas. A MTV, que durante anos foi uma referência de lazer e entretenimento para o público jovem, está em crise de audiência, acompanhando a derrocada da indústria fonográfica. Todo o sucesso do Youtube e de seus clones, com a criação de conteúdo compartilhada e multidirecional, permitiu o rompimento de paradigmas midiáticos e a construção de uma excelente oportunidade para os anunciantes, ansiosos há anos por alternativas mais baratas para “branding”.

 

O mercado brasileiro, menos afetado pela crise econômica, com maior concentração em termos de veículos de comunicação, com uma parcela da população “on line” importante mas ainda minoritária, existe um intervalo de tempo para que tais efeitos sejam sentidos em toda a sua intensidade. O próprio conservadorismo relativo do mercado publicitário eventualmente fará com que algumas decisões de transferência de investimento para o mundo on line sejam retardadas.

 

Mas elas virão.

Escrito por brunolinhares

Janeiro 12, 2009 em 2:04 pm

Perspectivas para o e-commerce em 2009

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Crise Economica

Crise Economica

 

 

 

 

Já temos números sobre o crescimento do e-commerce brasileiro em Dezembro de 2008. Contra os 20% inicialmente previstos pela empresa e-bit, os resultados estimados montam a apenas 15% de aumento sobre o mesmo mês do ano anterior.

 

A estimativa de crescimento de 30% para 2009 já não me parece mais realista. Para a difícil tarefa de previsão do panorama para 2009, é necessário aprofundar a análise dos fatores de mercado e da evolução do comportamento do consumidor.

 

Um dos elementos a ser avaliado é o próprio panorama antevisto em Dezembro para o conjunto do varejo. De forma inédita, a evolução das vendas em Shopping não acompanharam o crescimento das vendas de lojas de rua. O que caracteriza um comportamento diferenciado entre camadas sociais, com setores populares consumindo proporcionalmente mais do que o restante da sociedade.

 

Esse fenômeno pode ter como causa a continuidade dos programas sociais e de incremento de renda como também sinais de cautela da classe média, com receio de aumentar o nível de endividamento frente a um novo ano cheio de incertezas. Até mesmo para bens de consumo mais imediato, despesas menos onerosas do que a aquisição de veículos ou imóveis.

 

Menos do que os efeitos objetivos da redução da atividade econômica, que já atinge diversos segmentos mas ainda não se estende para o conjunto da população, os fatores psicológicos  fizeram deste um Natal de “lembrancinhas”. Com a notável exceção das linhas de TVs Finas e Notebooks, que representam um “up grade” tecnológico  em relação ao parque instalado.

 

Este comportamento, no entanto, não deve se repetir ao longo do ano. Caso a crise amplie sua intensidade e os esforços governamentais e da sociedade não consigam garantir o crescimento econômico nos patamares de 2 a 4%, teremos uma redução significativa do consumo das famílias que afetará o ritmo de crescimento do e-commerce. Nos EEUU, justamente nesta situação em 2009, estima-se que um incremento de apenas 4% nas vendas pela Internet.

 

Caso contrário, teremos a evolução da venda conforme a tendência de crescimento já antevista em anos anteriores – um contínuo crescimento, ainda importante mas inferior ao do ano anterior. Este é o meu cenário preferido.

 

No ano de 2008 o crescimento da venda deveu-se basicamente ao incremento do Ticket Médio. Agora, os eletrônicos ampliam sua participação nas vendas, o que caracteriza um maior amadurecimento dos consumidores, que perdem o receio de adquirir produtos mais caros.

 

Por outro lado, é observada uma importante entrada de novos consumidores, com uma taxa de crescimento de 30% sobre 2007. Agora são 13 milhões de “e-consumidores” no Brasil.

 

Com os dois fatores combinados, temos uma redução relativa da freqüência de compras, eventualmente fruto da derrocada das vendas de CD e DVD.

 

Neste quadro, os elementos essenciais estão na continuidade da entrada de novos consumidores, tanto com incremento da participação das classes C e D quanto pessoas de maior idade, na compra de produtos de maior valor agregado ou de linhas de produto ainda pouco exploradas – como as de Utilidade Doméstica ou Vestuário e ainda no amadurecimento do consumo pela Internet, com a ampliação da freqüência de compras, explorando condições diferenciadas ou a comodidade proporcionada pela web.

 

Tais fatores, sob um cenário de crescimento econômico moderado, podem ainda garantir um crescimento de dois dígitos nas vendas pela Internet em 2009.

Escrito por brunolinhares

Janeiro 9, 2009 em 5:04 pm

Crise econômica e a Internet

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A crise econômica chegou ao mundo inteiro. Também à Internet. Nada que seja novidade para os veteranos da rede – a euforia inicial em torno da web, no final dos anos 90, foi seguida pouco depois pelo bode da explosão da bolha, com severos efeitos sobre investidores incautos e empreendedores despreparados.

 

Da mesma forma, a bolha da especulação sem controles e barreiras levou o mundo da produção à situação atual. Da especulação no mercado imobiliário norte-americano, a crise espalhou-se pelo setor financeiro, o que mostra a fragilidade dos controles e a falência da “auto-regulação do mercado”, fulgurante conceito na retórica neoliberal tão em voga faz pouco tempo atrás.

 

O emblemático incidente da falência do fundo gerido por Bernard Madoff, responsável por uma gigantesca fraude no formato de “pirâmide”, demonstra a leniência dos órgãos reguladores e a participação direta de alguns de seus dirigentes em práticas criminosas (Madoff é ex-presidente da Bolsa Nasdaq). A mesma classe de questões e o mesmo comportamento irresponsável de agentes de mercado permitem colocar lado a lado, em diferentes escalas de intensidade, a bolha da Internet e a atual fase de recessão.

 

A questão que se coloca é o quanto a atual crise econômica afetará o panorama da Internet enquanto estrutura econômica e canal de comunicação. A partir da recuperação pós bolha, as atividades econômicas na Internet floresceram e crescem em ritmo acelerado. Todos nos perguntamos agora qual será sua dinâmica nesses tempos bicudos.

 

Com um crescimento de dois dígitos no mundo inteiro até 2007, o e-commerce se popularizou e ganhou centenas de milhões de adeptos. No Brasil já são mais de 10 milhões de pessoas que compram on line. Nos EEUU, conforme os dados do instituto eMarketer’s, em 2008 o crescimento estimado é de 7,2%, contra 19,8% em 2007. Para 2009, a estimativa é de apenas 4,1%. No Brasil, contra um incremento no ano anterior de 45%, espera-se chegar a 30% em 2008, sendo que em Dezembro provavelmente teremos a menor taxa de toda a história, com um aumento de 20% contra o mesmo período do ano anterior.

 

Não tenho estimativas sobre a expectativa de crescimento das despesas dos anunciantes em mídia Internet no Brasil, mas nos EEUU a previsão, ainda segundo o eMarketeer’s, é de um incremento de 8,9%. Como uma mídia altamente mensurável em seus resultados e com o volume da própria base instalada, a internet estará se beneficiando ainda com a transferência de investimentos da mídia off line, que em certos canais tem perspectiva de decréscimo importante, como no caso dos jornais e a TV, esta com uma previsão de declínio de 4,2% no mercado norte-americano.

 

O crescimento da Internet, no entanto, é bastante diferenciado – as “novas mídias” terão um crescimento importante, como no formato vídeo, com acréscimo de 45%, contra um incremento estimado de apenas 3,3% em email marketing. Espera-se até mesmo um discreto declínio nos formatos de patrocínios e classificados, enquanto as despesas em busca aumentarão 14,5% sobre este ano.

 

A Internet brasileira, em minha opinião, manterá um ritmo importante de crescimento, com a continuidade da incorporação de novos setores sociais – pessoas de menor renda e de mais idade serão “incluídas” e utilizarão a Internet como parte de suas vidas.

 

As mídias sociais, um formato que cresce no mundo inteiro, têm particular consonância com os hábitos dos brasileiros, como já demonstram estatísticas conhecidas.  Será um dos fortes vetores da utilização econômica da rede, permitindo uma interlocução privilegiada das marcas com segmentos importantes.

 

O ritmo e a temperatura, no entanto, serão ditados pelos esforços governamentais e também das forças sociais e econômicas para a superação da crise. Um comportamento tíbio e vacilante que não eleja a continuidade da atividade produtiva como centro, poderá trazer sérias conseqüências para o país e para a web, atrasando seu desenvolvimento social, cultura e tecnológico.

Escrito por brunolinhares

Dezembro 24, 2008 em 6:09 pm